Conheci o Elias Paniago quando tinha 23 anos de idade.
Na década de 2000, já com meus 50 anos, era mochileiro e fazia minhas incursões pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, com minha máquina fotográfica. Não tinha companhia. Ia sozinho e lá arrumava gente, que juntos, andávamos pelo Parque na companhia de um guia. Me dei mal numa dessas. Consegui um companheiro. Cabra novo. Engenheiro e funcionário da Credicard em São Paulo. Para encurtar a conversa, no final da primeira incursão eu cheguei levando-o pela mão e o guia levando sua mochila. É mole? O cara não tinha controle para andar pulando de pedra em pedra. E lá isso é o normal para andar no mato e pelo fundo dos vales às margens dos riachos.
Depois dessa, convidei o Elias para ir comigo, porque lá era bonito e patati patatá. Ele topou. Na próxima fomos juntos. Eu, Elias, Fernando meu filho e Thaís minha filha do meio. Foi ótimo como sempre é. Foram dez dias de muita alegria e profunda convivência, já que ficamos andando pelas trilhas no mato o tempo todo e sempre para frente. Dormimos em cima de pedras olhando pra lua. Fizemos nossa comida e lavamos nossas roupas. O céu nos acompanhou e Deus esteve do lado direito. Assim começou um relacionamento muito forte.
Depois da viagem, Elias, quando me encontrava, sempre me falava: “Hélio vamos pedalar.” “Hélio vamos pedalar.” “Hélio vamos pedalar.” Um dia enchi o saco com tanta insistência e resolvi comprar uma bike.
Em maio de 2004 Elias foi comigo e compramos uma daquelas que só serve para iniciante de pau-de-rato. Para mim estava ótimo. O que mais que um pau-de-rato com pouco dinheiro queria na vida?
O Piki da Trilha estava no início e lá estava eu nas manhãs de domingo fazendo as trilhas mais leves que o mundo podia oferecer. Mar de Pinheiros, por exemplo. E eu levando cada vaca que só eu, com meus joelhos e cotovelos sabemos dizer. Algumas foram fotografadas e publicadas para “denegrir” meu nome e “baixar” minha auto estima. Não conseguiram – eis-me aqui pedalando.
De lá para cá já se passaram quase quatro anos. Posso dizer que saí do jardim da infância e estou na pré-escola. Ainda bem que caminhei para frente.
Já comi muita banana e bebi muita malto. Já caí mil vezes e levantei outras tantas.
O melhor de tudo foi que, nesse “comer banana e tomar malto, consegui muitos amigos.
Flecha afiada
Jan/2008
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
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