PERIPÉCIA 1:
Procurando melhores produtos que aumentassem meu desempenho na baique, comprei nos States, um par de pneus pra lá de top para usar sem câmara. O tal de tubeless, para aderir ao chick do inglesismo, já que não temos personalidade linguística.
Os pneus foram instalados nas rodas conforme manual. Rodei vários dias antes da competição, também, conforme o “manual da experiência ciclística”.
No dia da prova de Sobradinho – 80 km Trip Trial Pedal na Serra – lá estava eu, pronto para competir, e se deixassem, poderia até ganhar.
Na largada, que foi uma desordem total, um dos meus concorrentes conseguiu ir lá para a ponta e largar em posição privilegiada.
Eram muitos competidores. Com isso, até que desembolou, gastou-se muito tempo e com isso fiquei para trás. Muito para trás. Foram trinta minutos de pedal forte para ver “o blusa vermelha” com o numeral 280. Era o cara que eu procurava. Encostei e até descansei um pouco para depois atacar e pegar a dianteira, no asfalto, próximo à fábrica do cimento CIPLAN.
Na subida da vicinal estava à frente sem conseguir identificar meus adversários. Subi forte mas sentindo tranquilidade.
Na descida do quebra-corrente – descida muito técnica e perigosa – há dez metros do seu final o pneu dianteiro estoura e saiu do aro. Não houve acidente, pois estava bem devagar.
Desci da baique. Saí do caminho. Retirei uma câmara de ar que trazia às costas e com o pneu todo melecado do líquido, tive dificuldade para instalar o conjunto na roda. Peguei o gás e injetei-o rapidamente. A câmara furou, ou já estava furada. Nessa hora passou o 280. Depois passaram mais dois. Ia passando um rapaz e eu pedi-lhe uma câmara. Ele prontamente me cedeu a sua. Com a mesma dificuldade dantes instalei o conjunto. Com o segundo gás enchi o pneu. Arrumei as coisas e montei na baique.
Era só prejuízo. Estive parado por doze minutos. Tinha que correr atrás, pois faltavam somente dez quilômetros.
Em pouco tempo estava na pista dos três riachos. Com o coração na boca, coloquei toda força que tinha para avançar o mais que podia.
Por duas vezes avistei atleta com blusa vermelha. Não era o 280. Não arrefeci. Na última descida de pedras, antes de atingir o asfalto, na entrada da cidade, vi, ao longe, outro blusa-vermelha. Dessa vez era o 280. Alcancei-o e passei como uma bala. Faltava um quilômetro para a bandeirada.
Foi o suficiente para colocar um minuto de vantagem.
PERIPÉCIA 2:
Na quarta-feira passada, 18 de março de 2009, meu treino era em subida bem íngreme. A escolhida foi a subida-do-Leo.
Acordei às 5 horas da manhã. Me preparei para o treino com tudo que era necessário: acessórios de segurança, câmara de ar sobressalente, bomba de ar, remendos, caramanhola cheia, etc. Às 6 horas estava saindo de casa.
Fiz o aquecimento e mais dois exercícios subsequentes. Quando olhei para o quadro da baique, para beber água, a caramanhola não estava. Havia caído em algum lugar do planeta. Não sabia onde. Vi que meu treino estava comprometido. De três séries fiz uma e o abortei.
De onde eu estava me encaminhei para o Paranoá, para apanhar o carro no estacionamento do hospital, onde minha esposa o deixou. Encontrei a caramanhola caída, sem tampa e sem líquido, no lado da estrada de terra.
No asfalto, em um cruzamento, com muitos carros passando, levantei na baique para dar um sprint. A corrente saiu da coroa e eu caí violentamente no asfalto rugoso. Levantei muito rápido, com medo de ser atingido por um carro, e ganhei o acostamento de imediato. Senti que avia ralado forte o joelho esquerdo. A palma da mão direita estava dolorida, mas não era hora para averiguar nada. Só senti que não tinha freio traseiro.
Em pouco tempo cheguei onde o carro estava. Fui conferir o prejuízo.
Eu vestia uma calça própria para pedalar. Ainda bem! No joelho direito arrancou uma lasca que foi cortada com uma tesoura quando cheguei a casa. As luvas acabaram. Foram para o lixo. A parte interna do joelho direito foi atingido pelos dentes da coroa e ficaram marcas. O freio traseiro quebrou. Já estava sem freio dianteiro, pois o aro estava nas últimas. A mão direita ficou bem dolorida com a pancada, mas a luva protegeu.
Com isso posto, achei que deveria ter ficado em casa, debaixo dos cobertores, lendo um bom livro e tomando suco de acerola.
segunda-feira, 23 de março de 2009
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