Com o mesmo espírito aventureiro de Amudsen(navegador norueguês) e de Scott(navegador inglês) fiz-me ao mar em quinze de setembro de dois mil e dez.
Dormi aos trancos pensando na viagem. Acordei antes da hora porque o sono se foi. Iria descobrir outro lugar em breve.
Não tive tempo de tomar café no restaurante do hotel por um motivo óbvio: se tomasse café perderia a partida do barco.
Desci a ladeira até a Praia Grande. Comprei o bilhete e esperei sentado dentro do ônibus que levaria os passageiros ao barco que esperava em outro porto. O porto da Praia Grande estava seco. A maré estava baixa.
Chegamos à praia onde o barco estava fundeado. Entreguei o bilhete, que o comissário conferindo, destacou e entregou-me o canhoto.
Subi a escada em que a mulher do francês, dias atrás, se machucou – ouvi o comentário quando aproximei-me da tripulação -. Observei a posição do leste-oeste para descobrir de que lado bateria o sol. Escolhi uma cadeira numa fileira voltada para a lateral do barco. Acomodei-me. Em instantes, o pavimento dos assentos lotou. Logo deu-se a partida. Enquanto estávamos em águas rasas a embarcação singrava tranquila. Depois que ganhou águas mais profundas as ondas aumentaram. O vento soprava forte e o barco era como uma folha ao vento. Passado um tempo, vi pessoas pedindo o saquinho. Não o pedi porque estava de estômago vazio. Aleluia! Deus não deixou-me tomar café poupando-me desse inconveniente.
Chegamos a Alcântara. Porto pequeno e bem estruturado. Uma plataforma recebe os passageiros. Desta, passa-se para uma passarela que leva à terra firme.
Fiz o caminho e cheguei às barracas dos vendedores de comida. Comi um pedaço de bolo de milho acompanhado por um copo de café.
Comprei a passagem de retorno. Garanti, com isso, sair da península no mesmo dia da chegada. A possibilidade de permanecer em Alcântara, por falta de lugar no barco, é reservada aos incautos despreocupados.
A cidade, pelo que ouvi, é do século XVII. Casarões com paredes grossas, construídas com pedras e argamassa. Ruas pavimentadas com pedras irregulares provocam um barulho característico com o passar dos pneus. A moto é o veículo que movimenta com maior desempenho naquelas ruas. Motos altas, como Tornado e Bros, são a maioria.
Visitei casarões. Ouvi histórias de uma sociedade segregacionista. Pouca diferença para os dias atuais. De todas, uma chamou-me a atenção: têm na cidade três igrejas católicas(nada contra a religião católica) – uma, no centro, com duas torres; outra, bem posicionada, mas fora do centro, com uma torre, e uma na periferia, com uma torre. A maior é a primeira. A menor é a última.
A primeira, com duas torres, era a dos brancos ricos. A segunda, com uma torre, era a dos brancos pobres. Esta, longe daquela. A da periferia era a dos negros.
O número de torres, o tamanho da igreja, e sua posição geográfica, era determinado pela cor da pele e da classe social dos fiéis.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
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2 comentários:
- O Velho Flecha. ! Tá ruim heim, não vá se perder por aí ( em todos os subentendidos ). Que inveja estou. Aproveite bem essa luz, pois deve ser bem diferente da que estamos acostumados.
Abraços.
Evilasio.
Meu brodi;
Como é excelente viajar nos seus ótimos textos e fotos.
Tô aqui, mas tô aí.
Ligado e esperando atualizações.
Abs,
Elias
www.pikidatrilha.blogspot.com
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